Quando a criatividade nasce do “Ops, deu errado”

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Quando a criatividade nasce do “Ops, deu errado”

Preciso confessar uma coisa. Já estive em uma fase excessivamente “certinha” e hoje consigo enxergar o quanto essa postura tolheu a minha criatividade. Não estou falando sobre ser correta. Disto eu não abro mão. Falo sobre ser chatinha mesmo. Mas já passou! (risos) Com o tempo fui descobrindo que ser ética, correta e íntegra não significa que eu tenha que ser perfeccionista.

Quando se é muito certinho ou certinha, não se negocia as combinações, a simetria e até comportamentos mais radicais. Tudo precisa estar encaixado, os horários não podem ser descumpridos em hipótese alguma, e o que é leve torna-se um fardo. Com isso, se perde muito do que está a sua volta e obviamente que a criatividade fica comprometida. Você já passou por isso?

O importante é aproveitar o tempo que temos para rever conceitos, posturas e comportamentos. Eu continuo aprendendo muito com minhas parcerias, meus amigos e com exemplos de profissionais que genialmente usam a criatividade a partir da simplicidade das ideias e do que considero muito importante em minha própria carreira: a liderança humanizada.

Como exemplo de criatividade, coletividade, humanidade e liderança humanizada, temos cases de Massimo Bottura, um Chef Italiano. Como você já deve ter percebido, sou “netflixeira”! (risos) e conheci um pouco da história dele através de um episódio de Chef’s Table, uma série-documentário sobre gastronomia do Netflix.

Já começa emocionando quando ele conta como ajudou produtores de Parmigiano-Reggiano a salvarem 360 mil peças que foram danificadas com o terremoto de 20 de maio de 2012 que atingiu o norte da Itália, sendo Módena uma das regiões mais afetadas. E consequentemente contribuiu para que muitos não perdessem seus empregos, pois com a possibilidade de perda dessas peças, queijeiros da região poderiam ter fechado as portas.

Uma receita com função social

Entra em cena o então renomado Chef Massimo Bottura, dono da Osteria Francescana, considerado o melhor restaurante do mundo pelo ranking “The World’s 50 Best Restaurants” de 2016, com uma receita com função social. Ele vai até o presidente do consórcio de produtores de parmesão e apresenta a solução: o Risotto Cacio e Pepe, um risoto cozido com parmesão, uma receita simples que qualquer um poderia fazer. Resultado: todas as 360 mil peças de parmesão foram vendidas! Em várias partes do mundo estavam preparando o Risotto Cacio e Pepe. Isso não é fantástico?

 

E Mássimo não parou por aí. Inaugurou em 2016 o Reffetorio Gastromotiva em parceria com a ONG Gastromotiva, que utilizou sobras de alimentos da Vila Olímpica para alimentar 5000 pessoas carentes.

Fico pensando em quantas vezes deixamos de usar a criatividade, principalmente em meio às tempestades da vida, quando geralmente pensamos somente em nós mesmos. Pensamos em nos salvar, em resolver os nossos problemas e esquecemos que não estamos sozinhos nesse mundo. Até para ter sucesso, é preciso olhar para fora, para o outro.

“Pois vamos reconstruir a partir do que temos!”

Ou “… vamos reconstruir como uma coisa quebrada” Frase que representa, na minha opinião, um misto de criatividade com liderança humanizada. Sim, porque você consegue imaginar o que significa cometer um erro para a cultura japonesa?

Takahiko, seu sous-chef , já cansado naquela noite de sábado, acabara de derrubar uma das duas últimas fatias de torta de limão que seriam servidas. Ele queria cometer haraquiri (suicídio para limpar a honra), tamanha era a sua vergonha. No entanto, Massimo em mais uma epifania, diz:

“Pare com isso, Taka. Veja através dos meus dedos (acredito que imaginando já o prato montado a partir do que tinham). Que lindo. Vamos reconstruir como uma coisa quebrada”. Ainda incrédulo, mas como confiava em Massimo, resolveram tentar criar do que restou. Daí nasceu a famosa sobremesa “Ops! Derrubei a Torta de Limão”, como se tivesse sido montada assim, de propósito.

 

Simplesmente genial! Ele doou aquilo que lhe é mais caro: sua criatividade. No momento em que o mundo vive, é preciso se reinventar!

Quantos empreendedores jogaram fora “sobras” ou descartaram possibilidades de recriar a partir do zero ou até mesmo dos erros e dos acidentes de produção? Ou ainda porque são tão perfeccionistas que não conseguem desprender-se daquilo que trava a criatividade.

Veja alguns exemplos de invenções que estão no nosso dia a dia e que surgiram de situações do tipo:

“Ops, deu errado!”:

  • Marcapasso – Em 1956, Wilson Greatbatch estava trabalhando na construção de um dispositivo que gravasse os movimentos cardíacos dos seus pacientes, na Universidade de Bufallo, nos Estados Unidos. No entanto, ele acabou por retirar um fio de uma forma errada. Quando ligou o aparelho, reparou que o mesmo fazia o batimento muito semelhante ao de um coração. Entretanto, Wilson Greatbatch tinha conversado com alguns colegas seus sobre as possibilidades de um aparelho poder estimular os batimentos de um coração. Com isso, inventou um aparelho de apenas 2 centímetros que salva milhões de vidas todos os anos.

 

  • Corn Flakes – O doutor John Kellogg e o seu irmão Keith, em 1894, eram donos de um hospital. Os visitantes desse mesmo espaço eram deixados num Spa, em Michigan, onde eram obrigados a um regime de alimentação um pouco estranho. Os visitantes não podiam comer carne, fazer sexo, beber álcool ou fumar. Outra das regras era a eliminação da cafeína através da substituição de outra substância: a granola. Depois de juntar a essa substância um pouco de trigo, surgiu um produto de certa forma estranho. Em vez do produto aparecer em grandes massas de pão, saiu em flocos muito pequenos. Depois foi só acrescentar um pouco de leite e surgiu um dos cereais mais comercializados no café da manhã.

 

  • Massa de modelar – Durante a segunda guerra mundial, o Governo norte-americano queria que alguém criasse um material diferente do silicone, que pudesse ser utilizado nas botas dos soldados. Então, James Wright propôs fazer esse trabalho. Durante os testes, Wright adicionou ácido bórico à substância, tornando algo pegajoso. Apesar de não ter qualquer utensílio para o que era pretendido pelo Governo, Wright acabou por encontrar alguma utilidade para as crianças, criando a massa modelar (ou plasticina para o português de Portugal). Hoje em dia ela existe em várias cores e é utilizada para milhões de crianças em todo o mundo.

Fonte: escolafreelancer.com

Criatividade é inteligência, divertindo-se (Albert Einstein)

Você gostou deste artigo? Gostaria de compartilhar alguma experiência de criatividade que nasceu do que parecia estar perdido?

Sucesso e um forte abraço!

Ghislaine Sandri

Coach de Carreira

Future-se Coaching

Ghislaine Sandri

About Ghislaine Sandri

Diretora da Future-se, Personal & Professional Coach membro da Sociedade Brasileira de Coaching (SBC). Formada em Turismo, com especialização em Marketing, tem vivência como líder nas áreas administrativa, marketing e hotelaria e é apaixonada por temas como: Desenvolvimento Humano, Gestão de Pessoas, Comportamento, Coaching, Liderança e Endomarketing.

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